terça-feira, 16 de março de 2010

Alteração calendário

Queridos alunos:
A arquitecta Paula Miranda não vai poder vir amanhã. Fiquei de combinar com ela a intervenção para depois das Férias da Páscoa, já que para a semana temos as nossas primeiras 6 apresentações orais. Comecem a pensar em elaborar comentários para o blog! Não só ajudam os colegas a alargar perspectivas, como investem nos elementos de avaliação para a nossa cadeira.
Assim sendo, na próxima aula terminaremos o módulo 6 do programa.

Diana Almeida

sábado, 13 de março de 2010

American Visions online

Link para 8 episódios da série American Visions, de Robert Hughes

Ver

quinta-feira, 11 de março de 2010

Jacob Lawrence, The Migration Series

Apresentação da exposição que reuniu a série narrativa de 60 painéis na Phillips Collection (Washington DC). Vejam ainda a contextualização apresentada pelo museu.

Berenice Abbott e João Tordo


Berenice Abbott, "EL," SECOND AND THIRD AVENUE LINES Bowery and Division Streets, processo de prata coloidal, 24 Abril 1936,
(24.4 x 19.9 cm), Museum of the City of New York, Nova Iorque

«Uma vez ouvi uma história engraçada sobre sonambulismo. Não me recordo se a li numa revista, ou talvez num romance. Contava que os sonâmbulos são pessoas que têm duas vidas, uma acordada e outra a dormir. Quando dormem, vivem a outra vida que deveriam ter tido, aquela que está para lá das fronteiras da realidade. Que está guardada dentro da memória escondida que só vem ao de cima quando estão inconscientes.»
Kim deteve-se e olhou-me.
(…)
Kim morreu às 5.43 daquela madrugada, segundo o relatório do médico legista. Foi encontrada por um automobilista na berma da ponte de Williamsburg, em roupão, desfeita por dentro pelo choque frontal com um carro a grande velocidade, que fugiu da cena do atropelamento. Na altura do acidente, acabara de cair sobre Nova Iorque o pior temporal dos últimos anos, e a estrada encontrava-se alagada. Apesar de a chuva ter parado, a intensidade do temporal tinha deitado abaixo algumas luzes da ponte, e a pessoa que a matou não a viu ou, na melhor das hipóteses, julgou tratar-se de um animal que atravessava a estrada. Afinal, quem poderia estar àquela hora, naquele lugar, após uma intempérie, caminhando sem sentido ao longo da ponte, de olhos abertos mas vivendo um sonho?
(…)
Na altura em que Kim deixava o quarto na East Broadway, subindo a Clinton Avenue para entrar na ponte pela faixa dos automóveis – a ponte de Williamsburg tem uma faixa para pedestres, protegida da estrada –, eu já dormia o sono inquieto do álcool na minha cama da residência, sonhando com rostos estranhos e desfigurados, despertando e vez em quando para tornar logo a adormecer.
TORDO, João, Hotel Memória. Lisboa: QUIDNOVI, 2007 (p. 27, 40)



•Uma visão desfocada (fotografia), lembranças confusas (texto)
• blur (mancha,indistinção) / blurry (turvo, indistinto)

Gosto de pensar que estes dois textos estão interligados na dimensão do espaço. Tanto na fotografia de Berenice Abbott (1898-1991), como no excerto literário de João Tordo (1975 -) deparamo-nos com demandas no território. Abbott, no advento de alterações irreversíveis na paisagem urbana de Nova Iorque tenta dar a conhecer através da sua fotografia documental (directa, não manipulada tanto no conteúdo como no processo de revelação) um “passado visível” (“visible past)”. Escolhi um exemplo da série de fotografias do Lower East Side, bairro da cidade que ocupa mais de metade do livro Changing New York (1939) produzido por Abbott, ao abrigo de subsídios da Federal Art Project da Works Progress Admnistration e do Museum of the City of New York. Abbott é obsessiva na documentação geográfica exacta das ruas (como se pode observar no título da fotografia). Tordo, por sua vez, narra uma intriga complexa, sombria e incerta nas mesmas ruas do Lower East Side. Ele é de igual forma rigoroso na descrição de zonas, ruas e intersecções. O escritor estudou no City College de Nova Iorque, local onde parte da acção do livro se desenrola. Cerca de setenta anos depois, Tordo e as suas personagens percorrem os mesmos trilhos de Abbott e contudo percepcionam uma diferente experiência da cidade.
A fotografia é tirada de dia. Encontramo-nos no domínio do espaço público. A luz do sol é um factor decisivo na iluminação da composição fotográfica. O jogo de luzes e sombras dá a ver um picotado resultante da estrutura metálica recortada do comboio elevado (“EL”). O ponto de fuga da representação é representado pelos carris que fluem paralelos ao plano da fotografia, sendo que a curva confere profundidade, movimento e dinâmica à representação. Este bairro parece prolongar a sua existência debaixo dos carris, com os seus mastros de ferro a pontuar verticalmente o espaço pictórico. Vertical está também a figura humana, ordenada no espaço citadino, não correndo perigo. Os corpos estão alerta e seguem um código de sobrevivência, do conhecimento geral. A cidade não representa, aqui, perigo.
No texto literário a cidade, o seu funcionamento revela-se fatal. Kim sai de casa sonâmbula, de noite. Movimenta-se pela cidade, vai por cima da ponte onde é facilmente recolhida por um automóvel. É aparentemente invisível, o seu estranho corpo errante naquele viaduto. Um temporal abatia-se sobre a cidade, a figura humana de Kim era confundida com a escuridão, o seu corpo deambulava desnorteado, descontrolado, quebrava as regras de conduta dos peões, de ordem no trânsito. A cidade não teve resposta para dar aquele corpo aparentemente acordado, mas na verdade inconsciente. O resultado foi violento e trágico.
De volta à fotografia observa-se a arquitectura dos transportes públicos, um ícone da cidade da altura, a qual provoca alterações no aspecto da cidade, assim como na vivência dos habitantes. Liga locais distantes, promove encontros e desencontros, aproxima as diferentes e distantes partes da cidade. Desloca habitantes dos seus locais de origem, populariza as características de cada bairro – um corpo tecnológico aproxima outros corpos humanos. Na periferia dos carris observam-se várias fachadas de edifícios bem iluminados pela luz do dia. Vêem-se anúncios publicitários, montras, lojas. Há um secreto burburinho na aparente calma da representação fotográfica. As silhuetas de homens indistintas são corpos quase desmaterializados. Convivem debaixo do “EL” aproveitando a sombra deste. Estão na penumbra da estrutura, sem a ameaça de colapso.
Esta fotografia, apesar de ser bastante marcada pela arquitectura dos caminhos-de-ferro e dos edifícios, transmite uma sensação desfocada, turva, indistinta. Nas imagens fotográficas de Abbott a preocupação com a construção era tal que a levava a “encenar” os locais antes de fazer a sua máquina disparar. Assim, nas fotografias há espaço para o vazio, a arquitectura, as pontes, a figura humana. É essa mesma sensação de vaga confusão, aliada em simultâneo ao planeamento que, Tordo testemunha no excerto literário. Os dois artistas esforçam-se por descobrir, destapar as essências e explicações mais profundas, essas que a vivência quotidiana não parece disposta a oferecer. Nas palavras de Abbott: "I agree that all good photographs are documents, but I also know that all documents are certainly not good photographs. Furthermore, a good photographer does not merely document, he probes the subject, he ‘uncovers’ it …” Tal como Abbott, o narrador em Tordo quer documentar as circunstâncias da morte de Kim
.



Bibliografia
BARTHES, Roland, A Câmara Clara. Lisboa: Edições 70, 1980
KLEE, Paul, Escritos sobre Arte, Lisboa: Cotovia, 1990
SONTAG, Susan, On Photography, London: Penguin Books, 1971
TORDO, João, Hotel Memória. Lisboa: QUIDNOVI, 2007
1990, Berenice Abbott Photographs. (intro, Muriel Rukeyser, David Vestal) Washington: Smithsonian Institution
1994, The new vision: photography between the world war. New York: The Metropolitan Museum of Art
1995, Berenice Abbot. (intro. Hank O’neal) Paris: Centre National de la Photographie

Sitiografia
Apresentação dia 22 de Março
Maria Manuel T. Carneiro

domingo, 7 de março de 2010

Georgia O'Keeffe at 92

Vejam esta entrevista com Georgia O'Keffee aos 92 anos de idade, no Novo México.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Library of Congress

http://www.americaslibrary.gov/index.html

Um bom recurso para contextualizar historicamente as vossas pesquisas.

Espaço Urbano

Vejam o filme Manhatta [título de um poema de Whitman], realizado por Charles Sheeler e Paul Strand, e aqui colocado por um vosso colega no ano passado.

Cita versos de Walt Whitman (1819-1892) , o poeta revelador da beleza convulsa do espaço urbano.

“Give Me the Splendid Silent Sun”, Walt Whitman

2.

Keep your splendid silent sun,
Keep your woods O Nature, and the quiet places by the woods,
Keep your fields of clover and timothy, and your corn-fields and orchards,
Keep the blossoming buckwheat fields where the Ninth-month bees hum;
Give me faces and streets--give me these phantoms incessant and
endless along the trottoirs!
Give me interminable eyes--give me women--give me comrades and
lovers by the thousand!
Let me see new ones every day--let me hold new ones by the hand every day!
Give me such shows--give me the streets of
Manhattan!
Give me Broadway, with the soldiers marching--give me the sound of
the trumpets and drums!
(The soldiers in companies or regiments--some starting away, flush'd
and reckless,
Some, their time up, returning with thinn'd ranks, young, yet very
old, worn, marching, noticing nothing;)
Give me the shores and wharves heavy-fringed with black ships!
O such for me! O an intense life, full to repletion and varied!
The life of the theatre, bar-room, huge hotel, for me!
The saloon of the steamer! the crowded excursion for me! the
torchlight procession!
The dense brigade bound for the war, with high piled military wagons
following;
People, endless, streaming, with strong voices, passions, pageants,
Manhattan streets with their powerful throbs, with beating drums as now,
The endless and noisy chorus, the rustle and clank of muskets, (even
the sight of the wounded,)
Manhattan crowds, with their turbulent musical chorus!
Manhattan faces and eyes forever for me.

Leaves of Grass (1855-1892)