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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Errata_AUTORia "Pedras no caminho"

Face ao comentário do Raul sobre a polémica em torno da autoria do poema por ele escolhido para diálogo com a obra de R. Smithson, decidi investigar e... afinal, o texto é atribuído a um tal Augusto Curry (autor brasileiro, como se nota, aliás, pelo uso dos pronomes clíticos no dito texto). Podem ler mais informação aqui e aqui. Moral da história: por favor, verifiquem sempre as vossas fontes de futuro!

E, para nos rirmos todos um bocado, partilho a imagem de perfil de uma página no Facebook que se dedica a desmistificar a falsa autoria de Fernando Pessoa — chama-se "A Pessoa o que é de Pessoa"






quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Susan Rothenberg & Edgar Allan Poe

Raven, 2009-2010
Oil on canvas
87 1/2 x 75 1/8 inches (222,3 x 190,8 cm)
Private Collection

"The Raven" - E. A. Poe
"[...]
And the Raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the plaid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming,
And the lamp-light o'er him streaming throws his shadow on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted - nevermore!" 


Susan Rothenberg
A artista nasceu em Buffalo, Nova Iorque, em 1945. Frequentou a Cornell University e aí obteve um BFA (Bachelor of Fine Arts). Foi casada duas vezes, sendo o segundo marido o artista Bruce Nauman.
O seu trabalho começou a ganhar destaque no mundo artístico nos anos 1970, em Nova Iorque, onde na altura o estilo dominante era o minimalismo, fazendo com que as suas obras figurativas e de grandes dimensões sobressaíssem, em particular a série de quadros com cavalos. A partir da década de 1990, as obras de Rothenberg foram influenciadas pela sua mudança para Novo México, onde até hoje reside e tem o seu estúdio de trabalho. A mudança que se nota no trabalho da artista é devido ao facto de ter começado a pintar cenas inspiradas no seu quotidiano.


Edgar Allan Poe
O escritor nasceu a 19 de Janeiro de 1809, em Boston, Massachusetts, e faleceu a 7 de Outubro de 1849, em Baltimore, Maryland. Enquadra-se no período romântico e foi um dos primeiros escritores dos EUA a escrever contos. Começou por publicar poemas anónimos, como por exemplo Tamerlane and Other Poems. É apelidado/considerado o "pai da literatura moderna de terror".


Relação entre a obra e o poema
Começo pelo nome das duas obras: ambas com o título "Raven", devido à centralidade da figura do corvo. Rothenberg pode optado por usar a palavra "raven" em vez de "crow" (mais utilizada no dia-a-dia) para sublinhar uma ligação entre a sua obra e a de E. A. Poe. Ao analisar a estrofe que escolhi do poema (a última), encontro dois elos de ligação entre as duas obras. A primeira reside no verso "never flitting, still is sitting, still is sitting", que nos indica que o corvo não está em movimento nem a voar, a mesma ideia que se tem ao olhar para a obra de Rothenberg onde o pássaro se encontra em cima dos ramos, parado e a olhar para um possível horizonte fora do quadro. O segundo elo de ligação reside no terceiro verso ("And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming"), visto o corvo no quadro poder ser lido como ameaçador e/ou demoníaco (no poema o corvo é também apelidado "thing of evil"). 

Cumprimentos,
Mariana Lemos

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Robert Smithson & Augusto Curry


Robert Smithson (1930-1973) foi um artista e escritor americano, associado à "Land Art". Iniciou o seu trabalho artístico com pinturas e colagens, tendo depois focado o seu interesse na escultura.




Enquadrado no Conceptualismo e no Pós-Modernismo (movimento que surge na sequência do Expressionismo Abstracto e Minimalismo) dos anos 1960, expande a sua obra trasladando-a das galerias para a paisagem natural.




Em 1970, realiza o earthwork pelo qual é mais conhecido: Spiral Jetty.


Para a minha apresentação focar-me-ei na obra Mirror and Shelly Sand (1970).


Como ponte de ligação, proponho o texto visual "Pedras no Caminho" (que tem sido falsamente atribuído a Fernando Pessoa), da autoria de Augusto Cury.


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,

Mas não esqueço de que minha vida
É a maior empresa do mundo…
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
Apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
Se tornar um autor da própria história…
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
Um oásis no recôndito da sua alma
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “Não”!!!
É ter segurança para receber uma crítica,
Mesmo que injusta…

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…

Ligação entre o texto visual de Mirror and Shelly Sand e "Pedras no Caminho":

  • Auto-Reflexão (espelhos reflectem para dentro/o sujeito poético realiza uma introspecção)
  • Hetero-Reflexão (espelhos reflectem para fora/o sujeito poético refere críticas exteriores a si)
  • "Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
    (uso de material detrítico para construir obras de grande escala, Land Art)
  • Construção e desconstrução da matéria por parte de Smithson/Construção e desconstrução do "eu"
Aprofundarei a análise dos temas aqui tocados aquando da apresentação na aula.
Espero que tenham gostado desta introdução e até amanhã,

Raul Barbosa 50563

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Eric Fischl & Joyce Carol Oates


  Eric Fischl, New House 1982

 Oil on Canvas
 68 x 96 inches (173 x 244 cm)
 From "Early Paintings, 1979-1983".

"two insomniacs"

if one rises to stare out a window
the other feels the tugging, the draft of air
if one shuts his eyes
the other feels the leap of half-vision
that does not take hold

between them a few miles
the chopped-up ridges of a city
others' dreams that whine
like nighttime sirens

this is what they wanted
this is what the legends promised them
and if one telephones the other, the ringing
will anger the night and then subside
to nothing: they will both listen then to nothing
because this is what they wanted
and this is what they got

Joyce Carol Oates



Eric Fischl (1948-) é um pintor, escultor e gravurista estaduniense. A sua infância no meio suburbano de Long Island vem influenciar todo o seu trabalho, servindo como combustível para a revolta que sentia perante o ambiente fútil em que cresceu, onde reinava a restrição das emoções e a vontade de fazer transparecer uma imagem socialmente aceitável. 
Casado com a pintora paisagista April Gornik, Fischl trabalha atualmente como crítico na New York Academy of Art, continuando também a criar.



Joyce Carol Oates (1938-) é uma escritora oriunda de Nova Iorque. O seu trabalho passa por obras de prosa como romances, short stories, ensaios e criticas literárias, bem como poesia e dramaturgia. Premiada com o National Book Award em 1970, e nomeada para o Prémio Pulitzer em diversas ocasiões, Joyce hoje ensina na Universidade de Princeton, desde 1978.



A relação entre o poema e a obra estabelece-se através de uma narrativa (implícita no texto visual) comum. Estamos diante de uma relação humana interrompida pela distância, sendo a separação física entre dois seres restabelecida através do telefone, que introduz uma ligação e reimplanta o conceito de comunicação.
Tanto o poema como a obra apresentam um caráter direto, no sentido em que não resta muito espaço para ambiguidades, e incitam no público uma vontade de se relacionar com o que observa.

Bruna Duarte