quinta-feira, 31 de maio de 2018

"Tulsa", de Larry Clark

Lawrence Donald Clark (1943-) é um fotógrafo e cineasta americano, conhecido por representar nos seus trabalhos jovens em atos de violência, usando de drogas ou envolvidos em práticas sexuais. O seu trabalho mais conhecido é o filme Kids, de 1995.

O álbum Tulsa reúne um conjunto de fotografias a preto e branco retratando a vida dos jovens em Tulsa, Oklahoma. A sua publicação em 1971 "causou sensação na comunidade fotográfica", levando a um novo interesse pelo trabalho autobiográfico. Clark era viciado em drogas durante o período em que tirou as fotografias e na introdução à obra faz a seguinte declaração: "I was born in Tulsa, Oklahoma in 1943. When I was 16, I started shooting amphetamine. I shot with my friends every day for three years and then left town, but I've gone back through the years. Once the needle goes in, it never comes out".

Tulsa continua a ser o seu livro mais visceral, pois dá-nos a visão de alguém que está por dentro dos loucos anos 1960, o que acabou por conferir uma grande autenticidade ao seu trabalho.

Deixo aqui algumas imagens desta obra.

Billy with Baby.


Dead, 1970


Jack and Lynn Johnson, Oklahoma City, 1973



Ana Catarina Nunes, 139071

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Pop Art no mundo da Moda

A Pop Art foi um movimento artístico surgido no final da década de 1950, em Inglaterra, que  alcançou o seu auge na década de 1960, nos Estados Unidos.  Inspirados na estética das massas, estes artistas problematizavam a cultura popular de consumo, realizando uma ruptura com os valores elitistas da sociedade, e abraçando as experiências mundanas, através do uso de imagens publicitárias. A Pop Art é, pois, considerada um marco importante na transição da modernidade para o pós-modernismo. 
Andy Warhol,  é provavelmente o primeiro ícone de Pop Art, tornando-se uma figura influente no mundo da moda. Ele iniciou sua carreira como ilustrador de moda, tendo trabalhado para revistas como a Glamour, a Mademoiselle e  a Vogue. Warhol foi também um dos primeiros artistas a transformar a sua arte em itens de moda. Assim Pop Art sofreu influências da cultura popular e posteriormente a moda (alta costura) entrou em cena com itens produzidos em massa (consumismo e mediatização). 
Posteriormente, Yves Saint Laurent foi um dos primeiros estilistas a estabelecer este diálogo, quando lançou o vestido Mondrian, na sua coleção intitulada “Pop Art” (Outono/Inverno, 1966)

fig.1 - The Mondrian Dress by Yves Saint Laurent, 1966
Também, Gianni Versace que utilizou uma gravura de Marilyn Monroe na estampa temática dos seus vestidos e, Christian Dior  que lançou uma coleção inspirada nos esboços dos calçados de Warhol.


fig.2 - Versace, Spring-Summer, 1991



fig.3 - Dior – Coleção de bolsas e sapatos inspirados em Andy Warhol
Trabalho realizado por: Beatriz Catarino Ferreira (Nº146074)

De obra censurada a exposta



Barbara Carrasco, L.A. History: A Mexican Perspective, 1981 Acrílico sobre painéis de madeira e Masonite 16–20 x 80 pés


Olá a todos, venho partilhar convosco um mural que a cidade de Los Angeles recuperou e que esteve censurado cerca de quatro décadas. A obra foi criada pela artista Barbara Carrasco para comemorar o bicentenário da cidade de Los Angeles em 1981, mas acabou por não ser exposta, pois apresentava a história da cidade de um ponto de vista considerado à época "demasiado mexicano." A decisão, por exemplo, de mostrar o rosto de Biddy Mason, o último escravo de Los Angeles, também, não foi bem recebida na época. 
Barbara Carrasco nunca imaginou, que a sua obra iria ser apanhada num conflito entre a versão institucional da história de Los Angeles e o seu ponto de vista feminino como chicana. No entanto, a censura falou mais alto e a artista foi convidada a eliminar o conteúdo considerado sensível.  Porém, Carrasco recusou-se a apagar as imagens - 14 no total - que agora podem ser vistas no Museu de História Natural de Los Angeles. 
A artista Yreina Cervante a pintar uma secção do mural 1981
Grupo de jovens a pintar secções do mural, 1981

                                                                           
Fontes
http://pt.euronews.com/2018/03/08/los-angeles-acolhe-mural-sem-censura-
http://muralesrebeldes.org/la-history/
https://nhm.org/site/explore-exhibits/special-exhibits/sin-censura#


Rute Ventura nº 146116

terça-feira, 29 de maio de 2018

Marina Abramović e 1 Milhão de Volts

"You see, what is my purpose of performance artist is to stage certain difficulties and stage the fear, the primordial fear of pain, of dying, all of which we have in our lives, and then stage them in front of audience and go through them and tell the audience: I'm your mirror; if I can do this in my life, you can do it in yours."
Photograph by Ruven Afanador
A artista Marina Abramović, com 71 anos, é uma referência mundial, conhecida por ter chocado o mundo com as suas performances, ao longo da sua vasta carreira. A sua arte desafia diretamente o público com audácia: deu liberdade ao público a intervir no seu corpo com um conjunto de objetos incluindo uma arma carregada (Rhythm 0, 1974); cortou a própria barriga com uma lâmina de barbear e chicoteou-se  (Thomas Lips, 1975). Como a artista afirma na citação acima transcrita, a essência do seu trabalho é a partilha da “experiência” entre público e artista. A performance surgiu em 1960 como um desafio à pintura e é uma forma de arte onde o medium é o corpo, sendo que Marina Abramović  usa o corpo para expor opiniões violentas ou provocatórias.
 
O mês passado, ao consultar o site The Times, deparei-me com mais uma notícia, chocante (ou não!) da artista — em 2020 esta irá ser eletrocutada com uma carga de um milhão de volts, com o intuito de apagar uma simples vela. Outra novidade, não menos chocante, é que, em 250 anos, esta será a primeira mulher artista admitida na galeria principal da Royal Academy. Uma vez mais Marina Abramović vai pôr em prática a sua capacidade de chocar o público, com uma performance que coloca em risco a própria vida.

Convido todas e todos a lerem a notícia, para ficarem a saber mais pormenores acerca desta performance, deixo ainda um link para um documentário interessantíssimo acerca da performance "The Artist is Present", realizada no Museum of Modern Art de Nova Iorque, em 2010.

Bom estudo :)
Isabel Da Silva

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Dois livros = Dois Guias

Olá colegas!!

Venho partilhar hoje dois livros que encontrei, um sobre os Estados Unidos da América nos anos 1960 e outro sobre Andy Warhol, escrito por Klaus Honnef.

O primeiro livro chama-se The Columbia Guide to America in the 1960s, de David Farber e Beth Bailey. Trata-se de um guia completo sobre a cultura, economia, política e sociedade norte-americanas, dividido por capítulos com títulos concisos, o que facilita bastante a pesquisa, sendo, para mais, a linguagem usada bastante acessível. Podemos aqui encontrar diversos tópicos discutidos nas aulas, como a contra-cultura juvenil, os movimentos dos direitos civis, entre outros assuntos, facilitando o nosso conhecimento sobre o contexto da década de 1960.

Outro livro que poderá ser útil é Andy Warhol 1928-1987 Commerce into art, de Klaus Honnef. O autor dá-nos a conhecer a vida do artista, sempre envolta num grande mistério, o que nos ajuda a perceber certos pormenores da obra do artista e da evolução do seu estatuto, levando-nos a criar o nosso próprio imaginário sobre esta "pop star".

Deixo-vos aqui os links para os livros em questão





'Her Body and Other Parties'_Carmen Maria Machado



Embora esta cadeira se foque em artes visuais, a proposta interdisciplinar das nossas apresentações, combinada com os temas de género e corpo, fez-me lembrar a antologia de contos curtos Her Body and Other Parties, que talvez possa ser colocada em paralelo com os nossos estudos de maneira interessante.
Carmen Maria Machado é uma autora contemporânea americana, e apesar de este ser o seu primeiro livro, anteriormente ela publicou contos em periódicos de renome, como a Granta, The New York Times e The New Yorker.  Esta obra foi nomeada para o National Book Award e muitos outros prémios e tem chamado atenção mundialmente, desde a sua publicação em outubro passado.
Os contos de Carmen Maria Machado são firmemente enraizados nas ansiedades contemporâneas de feminilidade; contudo, apesar de muitas vezes as narrativas serem situadas num mundo muito parecido com o nosso, a autora hiperboliza diversas características dos ambientes retratados, usando a ambiguidade como uma ferramenta para construir os seus próprios universos. O resultado é uma fusão de elementos distópicos e fantásticas, numa espécie de realismo mágico, com elementos de ficção científica.
O corpo é uma constante que junta todos os contos. Carmen Maria Machado trata-o em várias manifestações — do corpo queer, ao corpo maternal (estes dois são combinados no conto “Mothers”), passando pela preocupação com o corpo ideal, ou pelo corpo como espaço traumático. Particularmente no conto “Eight Bites”, podemos ler a representação do corpo como uma massa externa em paralelo com as esculturas de Louise Bourgeois: não posso dizer mais sem fazer um spoiler, por isso convido-vos a ler o livro para poderem tirar as vossas próprias conclusões!
Recomendo mesmo que comprem o livro, uma das melhores coisas que li nos últimos anos (só comparável a The Bloody Chamber, de Angela Carter), mas se quiserem começar por espreitar, há alguns contos disponíveis online, incluindo “Eight Bites”, “The Husband Stitch”, “Especially Heinous” e “Mothers”.

Eleanor Weinel

Another Kind of Life - Photography on the Margins

A recente exposição "Another Kind of Life - Photography on the Margins", no Barbican Centre, em Londres, tratou muitos dos assuntos que discutimos na nossa cadeira este semestre, tal como a importância e a relevância da fotografia de documentário, noções de corpo e género, ou a arte como um esforço social para a mudança. A questão que reúne os vinte fotógrafos selecionados é o retrato da vida fora do comum, conferindo visibilidade às várias comunidades marginalizados mundialmente.
Paz Errázuriz, Evelyn, Santiago, 1983, da série La manzana de Adán [Adam’s Apple]
Algumas das obras que mais me interessaram foram os retratos duma comunidade de trabalhadores do sexo transgénero, no Chile tiradas por Paz Errázuriz nos anos 1980. Embora sejam da mesma época  os retratos de Andy Warhol em drag (onde o género é tratado como uma brincadeira com a identidade, um ato subversivo, mas sem consequências sociais), as imagens de Errázuriz são uma forma de resistência tendo em conta o contexto político de ditadura, quando a violência policial contra pessoas não conformistas era comum.
Paz Errázuriz, Pilar, Santiago, 1983, da série La manzana de Adán [Adam’s Apple]
Em contraste com o trabalho de Dorothea Lange para a FSA, em que as fotografias são retratos feitos em viagem entre comunidades de uma maneira mais transitória, o projeto de Errazúriz foi realizado ao longo de 4 anos, partindo de uma relação pessoal entre a fotógrafa e os sujeitos representados - ela conviveu com eles e as fotografias foram feitas em colaboração, para provocar questões sobre a construção de identidade, as "vidas subterrâneas" e a expressão de si próprio como forma de resistência política.

Cliquem aqui para descobrir mais sobre a exposição (que reuniu muitos mais fotógrafos interessantes) e se quiserem saber um pouco mais sobre esta artista cliquem aqui, para lerem uma entrevista dela.

Eleanor Weinel