sábado, 26 de maio de 2018

Sally Mann



                                                                                Sally Mann, The New Mothers (1989)

Sally Mann (1951-) é uma fotógrafa americana mais conhecida pelas suas fotografias a preto e branco, primeiramente dos filhos e depois de paisagens sugerindo decadência e morte. 
Na sua obra, Mann concentra-se principalmente em desvendar o comportamento do ser humano, tendo começado por retrata os filhos, brincando a ser adultos. Mann começou a fotografar os seus filhos assim que eles nasceram, criando ao longo dos anos um álbum de fotografias de família totalmente irreverente, que acabaria por intitular Immediate Family (1992).
A obra da fotógrafa é bastante curiosa e intrigante, pois ela apresenta um lado diferente da suposta inocência da infância e da pré-adolescência. Raiva, amor, morte, sensualidade e beleza são temas que a fotógrafa faz questão de incluir nos seus retratos da vida familiar, quebrando tabus e problematizando a idealização da família.

Ana Catarina Nunes, 139071

Cindy the Doll is Mine

Olá a todos!
Queria partilhar esta curta de Bertrand Bonello que reflete sobre o jogo que Cindy Sherman faz na sua obra, enquanto criadora e objeto das suas fotografias.


O filme simula uma sessão fotográfica em que a fotógrafa e a modelo, apesar de serem duas personagens diferentes, são a mesma atriz. É interessante pensar na forma como cada uma assume uma personalidade e gestualidade distintas, mantendo porém uma expressão facial idêntica.

Francisca Portugal

sexta-feira, 25 de maio de 2018

'Enjoy Poverty (Please!)'

Renzo Martens (1973-) é o cineasta holandês que realizou um documentário na República do Congo intitulado "Episode III: Enjoy Poverty" (2008). Neste registo de 90 minutos, Martens critica a presença dos media no país e o facto de as imagens da pobreza serem as exportações mais lucrativas do Congo. 
A estratégia que Martens utiliza para veicular uma crítica através da sua obra é a subversão. Fá-lo instruindo os fotógrafos locais a fotografar a sua própria comunidade empobrecida e a ganhar dinheiro com isso, tal como os fotógrafos ocidentais são pagos por trabalhos em África. Para além disto, instala uma placa de neon que diz “Enjoy Poverty” como uma diretriz para os congoleses tirarem proveito da própria situação para ganharem dinheiro. O documentário vai alternando imagens recolhidas por Martens, com footage de campos de refugiados (focando o logotipo da UNICEF) e de cadáveres.
O filme recebeu críticas contraditórias ao ser exibido na 6ª Bienal de Berlin, na Tate Modern (Londres), no Stedelijk Museum Bureau (Amesterdão), no Centre Pompidou (Paris) e na Careof (Milão), tendo sido acusado de perpetuar o problema que se propôs criticar. 
Em entrevista, Martens revelou-se ansioso por poder realizar um novo projeto em África, sublinhando as suas intenções ativistas: “Well, for the workers living on the plantation the artistic quality that Episode III proposes may have been of little interest. They may well prefer a worse piece of art, if only it would bring food to the table. So I am planning to do that: bring food to the table”.
Sem me alongar mais, gostaria de vos deixar algumas perguntas para vos ajudar a refletir sobre o caso exposto e desafiar-vos a comentarem o post com as vossas respostas.
1- De um ponto de vista ético e moral, concordam com o que Renzo Martens fez?
2- Tendo em conta a atribuição dos créditos e lucros do documentário, acham que houve algum benefício para os congoleses?
3- Será possível interpretar a intervenção deste cineasta europeu em África como uma vertente de neocolonialismo artístico?



Assim como a minha colega Rafaela Ramos de Faria fez no post Série Infra, Richard Mosse, gostaria de dedicar este meu post ao nosso Professor Carlos Garrido Castellano que lecionou a unidade curricular Introdução às Artes Africanas (2017/2018). 

Fontes

Teresa Maia, nº147188

Série Infra, Richard Mosse

Caros colegas, no contexto da aula de quinta-feira (24 de Maio), decidi apresentar-vos a série Infra, do fotógrafo Richard Mosse.

Nascido em Kilkenny, Irlanda, em 1980, Mosse vive e trabalha entre Nova Iorque e em Berlim. A sua lente passou por locais de conflito como o Irão, o Paquistão, o Haiti e a antiga Jugoslávia, mas ganhou renome com a série Infra, sobre o conflito na República do Democrática do Congo, realizada com o objectivo de alertar para a guerra que se passa neste país.

Iniciado com a fuga do grupo étnico dos Hutus ao Congo Oriental, no fim do genocídio em Ruanda, 1994, o conflito dura há duas décadas, envolvendo 40 grupos rebeldes (com várias mudanças de lealdade) e o exército congolês. Entre 1998 e 2007 morreram 5,4 milhões de pessoas. A cada hora, 48 mulheres são violadas.

Para a realização desta série, Richard Mosse foi a áreas isoladas da província do Kivu, para captar esta ocorrência humanitária de proporções catastróficas. De forma a conseguir as cores berrantes, que se podem observar nas fotos abaixo, aproveitou o Kodak Aerochrome (filme infravermelho de reconhecimento, desenvolvido pelo exército estadunidense durante a Segunda Guerra Mundial). Para o exército, esta técnica servia para se conseguir observar o inimigo, no caso da obra de Mosse, resulta em paisagens e fotografias de aspecto surrealista, a rosa e vermelho – cores ligadas à publicidade.

Assim, esta técnica cria uma certa ambivalência o que, segundo as palavras de Mosse, gera indignação por parte do espectador. A utilização de um método usado para propósitos militares, nos inícios dos anos 1940, e a beleza que transporta para a fotografia podem ser o começo de uma percepção do contraste entre o “belo” e o horrível” — "the surreal quality of these images respond to our desire to be distracted from trauma at the moment of engagement, to float near, but not be engulfed by the reality" (MOSSE,  2018).

Richard Mosse, Madonna and Child, North Kivu, Eastern Congo, 2012 
Digital al c-print
 DHC/ART Montreal
Richard Mosse, Lost Fun Zone, 2012
Digital
al-c print, 182.9 x 228.6cm
Galeria Leyendecker, Santa Cruz do Tenerife
Sites consultados
Disponibilizo também o trabalho que eu e a Teresa Maia, juntamente com outra colega, Lauren Sendles White, fizemos para a cadeira de Introdução às Artes Africanas, dada pelo Professor Carlos Garrido Castellano, a quem dedico este post por tudo o que nos ensinou e ajudou.

Rafaela Ramos de Faria, nº 147497

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Nancy Fouts

Olá a todos! No seguimento da aula de hoje, e da imagem que escolhi para apresentar, decidi fazer um post no blog sobre a Nancy Fouts, uma artista americana conhecida pelas suas esculturas improváveis, em que combina vários objectos desconectados entre si. Tem influências do Dadaísmo, da Pop-Art e do Surrealismo.
O que mais me atraiu nesta artista foi o facto de objectos díspares poderem unir-se para criar algo realmente espetacular. De facto, estas esculturas representam a forma improvável de a artista ver o mundo, o que se liga um pouco ao que falamos na aula de hoje — a arte pode mudar pensamentos e formas de ver o que nos rodeia.
Deixo-vos, pois, algumas obras da artista e se conseguirem, e quiserem, tentem explorar um pouco mais a sua obra no site da artista.

Baby nest Baby Nest

Jesus with Wings Jesus With Wings

Madonna with Safeway bags Madonna with Safety bags

Birth of Venus, without Venus (after Boticelli, Birth of Venus) Birth of Venus, without Venus (after Boticelli, Birth of Venus)

Everlast  Everlast

Espero ter-vos despertado algum interesse! Bom fim de semana!

Rita Gouveia

Exposição: "The Happy Show", de Stefan Sagmeister


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Até ao dia 4 de junho de 2018, aconselho a visitarem o “The Happy Show”, de Stefan Sagmeister, no MAAT em Lisboa. A exposição centra-se no conceito de felicidade, de uma forma provocatória, e aborda temas como a cultura de consumo, os mitos, tendências e estereótipos contemporâneos, tudo apoiado por conclusões de psicólogos e antropólogos.  Sagmeister levanta, pois, uma série de questões, tais como: O que é a felicidade? Como a encontrar? E o que fazemos realmente para ser felizes?

"The Happy Show” resulta de uma intensa pesquisa de mais de dez anos sobre o conceito de felicidade, e recorre ao vídeo, a infografias, a esculturas e a instalações interativas, cheias de humor provocatório.
Stefan Sagmeister é um reconhecido designer internacional, e nesta exposição utiliza um design gráfico extremamente emocional para se ligar aos visitantes, complexificando as fronteiras entre o design e a arte, a ciência e a cultura quotidiana, e transgredindo as barreiras entre estes conceitos.
A exposição é organizada por Claudia Gould (ex-diretora do Institute of Contemporany Art, da University of Pennsylvania, conhecido como ICA, e atual diretora da Helen Goldsmith Menschel no Jewish Museum, em Nova Iorque) e coordenada pelo principal curador do ICA, Anthony Elms.
Mais informações

Rute Ventura nº146116