terça-feira, 18 de maio de 2010

Jean Tinguely

Pessoal, fica aqui um vídeo do artista que vos falei durante a apresentação e do qual não me lembrava o nome=).
Infelizmente não encontrei a obra de que vos falei, mas fica a ideia.
Beijos e abraços, maltinha.


http://www.youtube.com/watch?v=bFC0Qs_IC48

domingo, 16 de maio de 2010

Gertrude Kasebier & Jonathan Coe



Texto

"(..) Tudo em mim me diz que tu tinhas de existir. Há uma justeza tão grande em ti... A ideia de tu nunca teres existido, de tu nunca teres nascido, parece-me tão palpavelmente errada, tão monstruosa, tão antinatural.. O que a tua existência me leva a compreender, é isto: que a vida só começa a fazer sentido quando nos damos conta de que por vezes duas ideias completamente contraditórias podem ser verdade.
Tudo o que conduziu a ti estava errado. Portanto, tu não deverias ter nascido.
Mas tudo em ti está certo: portanto, tu tinhas de nascer.
Tu eras inevitável"

"The Rain Before It Falls" Jonathan Coe

Biografia de Gertrude Kasebier

Gertrude Kasebier nasceu em Des Moines, Iowa, no ano de 1852.
Em 1864 a família muda-se para Nova Iorque, e passado uns tempos morre-lhe o pai. Pouco depois, a mãe de Gertrude tratou de assegurar o futuro da filha, e casa-a com Eduard Kasebier em 1874 no dia do seu 22º aniversário. Gertrude sempre teve um espírito livre e independente, e para a sua mãe podia ser que um marido e filhos a acalmariam, e ajudariam a assentar.
No entanto, Gertrude nunca abandonou o seu sonho de ser artista e em 1889, aos 37 anos começa a estudar pintura e desenho no Pratt Institute, e é por volta da mesma altura que começa a fotografar a família.
Em 1894 parte numa viagem para a Europa para estudar e aprofundar os seus conheciemntos de fotografia e pintura, e após o seu regresso abre em Nova Iorque um estúdio fotográfico em 1897, contra a vontade do marido, mas com o seu apoio financeiro (não nos podemos esquecer que na altura a fotografia não estava ao alcance de qualquer um, e que era bastante dispendioso).
O estúdio tem um sucesso tremendo, e era indiscutivelmente vista como uma das principais fotógrafas do seu tempo.
Em 1902 torna-se um dos membros fundadores do "Photo Secession group", juntamente com Alfred Stieglitz, que tinham como objectivo elevar a fotografia até a uma forma arte, e que procuravam ter o mesmo respeito e prestígio ganho pelos artistas de processos convencionais, queriam reconhecimento como sendo um meio de expressão artistica, independentes da arte académica.

Apesar de ter fotografado muitas personalidades conhecidas da altura, como Mark Twain e Buffalo Bill, as imagens pelas quais é mais conhecida, são os retratos de família e amigos, e temas como a maternidade e retratos de nativo-americanos.

As suas fotografias são suaves,e retrata a mulher como um ser carinhoso, espiritual e maternal.

Após divergências com Stieglitz em 1912 abandona o Photo Secession group.

Continuo a fotografar, a ensinar e a exibir até por volta de 1925, quando a visão lhe começou a falhar. Morreu com 82 anos em 1934, e em 1979 foi com muito mérito incluida no International Photography Hall of Fame.


Biografia de Jonathan Coe


Jonathan Coe nasceu em 1961 em Birmingham. Estudou no Trinity College em Cambridge, e completou o seu doutoramento na Warwick University, onde ensinou Poesia Inglesa.

Coe desde sempre mostrou ter grande interesse na música e na literatura, e nos seus livros é grande a influência destes seus interesses, sendo a música uma constante em quase todas as suas obras.

Publicou o primeiro romance em 1987 e até agora tem 9 livros editados, todos eles bem recebidos pela critica, e três deles premiados pela critica literária. ("What a carve up"; "The Rotter's Club"; "The House of Sleep")

Em 2004 foi ordenado Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras. Este grau é conferido pelo Ministério da Cultura Françês, que visa recompensar quem se distingue pelas suas criações no dominio artistico ou literário, ou pela sua contribuição para o reino das Artes e das Letras em França e no mundo.

Coe conseguiu a notável proeza de desenvolver confiança e um estilo distinto, sem jamais perder a jovialidade e a versatilidade tão caracteristicas dos seus trabalhos iniciais.

É um dos mais interessantes autores britânicos contemporâneos, e o humor que usa, por vezes quase excessivamente, misturado com seriedade, tem como objectivo não uma escapatória à realidade, mas sim um reflexo do nosso mundo estranho.

Coe continua a amadurecer com cada um dos seus romances e é visto pela critica como uma expecional promessa na literatura contemporânea.

Relação obra/texto

Tanto Kasebier como Coe, apesar de separados pelo tempo, apresentam nas suas obras temas emocionalmente complexos.
Kasebier tenta captar uma visão simbólica mas no entanto intimista.
Para mim o texto pode ser interpretado como um possível discurso da mãe para o filho.
O uso da luz no ambiente simples enche o lugar com o céu e envolve as figuras com a divindade. Apesar de podermos olhar para a fotografia, e vir-nos à cabeça uma possível comparação de alguma imagem da Virgem Maria com Jesus, Kasebier não apoiava explicitamente uma interpretação religiosa da imagem.
Como na maior parte dos trabalhos de Kasebier, a forma e o padrão são enfatizados nesta fotografia.

Sitografia:
www.wikipedia.org
www.shorpy.com/gertrude-kasebier
www.complete-review.com
www.andrewsmithgallery.com




Francisca Gaivão nº35505

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Diane Arbus e Oscar Wilde




Texto

“Because you have the most marvellous youth, and youth is the one thing worth having.”
“I don’t feel that, Lord Henry.”
“No, you don’t feel it now. Some day, when you are old and wrinkled and ugly, when thought has seared your forehead with its lines, and passion branded your lips with its hideous fires, you will feel it, you will feel it terribly. Now, wherever you go, you charm the world. Will it always be so?...You have a wonderfully beautiful face, Mr. Gray. Don’t frown. You have. And Beauty is a form of Genius-is higher, indeed, than Genius, as it needs no explanation. It is of the great facts of the world, like sunlight, or spring-time, or the reflection in dark waters of that silver shell we call the moon. It cannot be questioned. It has its divine right of sovereignty. It makes princes of those who have it. You smile? Ah! When you have lost it you won’t smile…People say sometimes that Beauty is only superficial. That may be so. But at least it is not so superficial as Thought is. To me, Beauty is the wonder of wonders. It is only shallow people who do not judge by appearances. The true mystery of the world is the visible, not the invisible…Yes, Mr. Gray, the gods have been good to you. But what the gods give they quickly take away. You have only a few years in which to live really, perfectly, and fully. When your youth goes, your beauty will go with it, and then you will suddenly discover that there are no triumphs left for you, or have to content yourself with those mean triumphs that the memory of your past will make mores bitter than defeats. Every month as it wanes brings you nearer to something dreadful. Time is jealous of you, and wars against your lilies and your roses. You will become sallow, and hollow-cheeked, and dull eyed. You will suffer horribly…Ah! Realise your youth while you have it. Don’t squander the gold of your days, listening to the tedious, trying to improve the hopeless failure, or giving away your life to the ignorant, the common, and the vulgar. These are the sickly aims, the false ideals, of our age. Live! Live the wonderful life that is in you! Let nothing be lost upon you. Be always searching for new sensations. Be afraid of nothing…A new Hedonism-that is what our century wants. You might be its visible symbol. With your personality there is nothing you could not do. The world belongs to you for a season…The moment I met you I saw that you were quite unconscious of what you really are, of what you really might be. There was so much in you that charmed me that I felt I must tell you something about yourself. I thought how tragic it would be if you were wasted. For there is such a little time that your youth will last-such a little time. The common hill-flowers wither, but they blossom again. The laburnum will be as yellow next June as it is now. In a month there will be purple stars on the clematis, and year after year the green night of its leaves will hold its purple stars. But we never get back our youth. The pulse of joy that beats in us at twenty becomes sluggish. Our limbs fail, our senses rot. We degenerate into hideous puppets, haunted by the memory of the passions of which we were too much afraid, and the exquisite temptations that we had not the courage to yield to. Youth! Youth! There is absolutely nothing in the world but youth!”

Oscar Wilde, The Picture of Dorian Gray


Biografia de Diane Arbus

Diane Nemerov Arbus, nasceu a 14 de Março de 1923, em Nova York. Era filha de um casal judeu de Classe Alta. Diane viveu uma infância protegida.
Em 1941, com 18 anos de idade, casou-se com o seu namorado Allan Arbus. Tiveram duas filhas.
Diane e Allan eram apaixonados pela arte da fotografia. Diane Arbus começou a fotografar com o seu marido Allan. Depois de se separar, aprendeu com Alexey Brodovitch e Richard Avedon.
No início, Diane foi trabalhar como fotógrafa de anúncios comerciais, para a empresa do seu pai. Em 1946, com o fim da Segunda Guerra Mundial, o casal iniciou um negócio de fotografia chamado “Diane & Allan Arbus”. Diane era directora de arte e Allan fotógrafo. Trabalharam para revistas como Glamour, Harper`s Bazaar, entre outras. Em 1956, Diane Arbus encerrou o negócio de fotografia. Em 1960, Diane e Allan separam-se. Embora Allan continua-se a ser um importante suporte emocional.
No início dos anos 60, deu inicio à carreira de fotojornalista e publicou para Esquire, The New Yourk Times Magazine, Harper`s Bazaar e Sunday Times, entre outras revistas. Por esta altura, escolheu uma máquina Reflex de médio formato Rolleiflex com dupla objectiva, em decremento das máquinas de 35mm. Entram também em cena os flashes em fotografias tiradas de dia. O objectivo era separar o essencial do acessório.
Com duas bolsas de Guggenheim, permitiram a Diane desenvolver melhor um trabalho de autor, que mostrou pela primeira vez, em 1967, no Museum of Modern Art, Colectiva New Documents.
Nos últimos anos da sua vida fotografou pessoas com deficiências mentais. Diane Arbus mantinha um forte relacionamento pessoal com os seus modelos fotográficos e fotografava alguns deles durante muito anos seguidos.
Em Julho de 1971 suicidou-se ao tomar barbitúricos e cortou os pulsos.
O catálogo da exposição de retrospectiva que o curador John Szarkowski concebeu, em 1972, tornou-se num dos maiores livros de fotografia. Desde então, foi reimpresso 12 vezes e vendeu mais de 100 mil cópias. No mesmo ano, Arbus tornou-se a primeira fotógrafa americana a ser escolhida para a Bienal de Veneza. As suas fotografias foram descritas como “uma conquista extraordinária” e “a sensação do Pavilhão Americano”.
Diane Arbus fotografou essencialmente pessoas à margem da sociedade e pessoas comuns em poses e expressões enigmáticas.


Biografia de Oscar Wilde

Oscar Wilde, nasceu em Dublin em 16 de Outubro de 1854. Era filho de um medico, Sir Willian Wilde e uma escritora, Jane Francesca Elgee, árdua defensora do movimento da independência Irlandesa, fazendo com que desde criança Oscar Wilde estivesse sempre rodeado pelos maiores intelectuais da época.
Estudou na Faculdade de Trinity em Dublin e depois na de Magdalen, em Oxford, onde ganhou o prémio Newdigate com o seu poema Ravena (1874). Depois de terminar os estudos, instalou-se em Londres. Com o seu talento e encanto pessoal em breve se destacava no mundo literário londrino como ensaísta e poeta.
Depois da publicação do seu primeiro livro de poesia Poemas (1881), viaja até aos Estados Unidos. É convidado para dar uma palestra sobre o seu recem criado movimento estético, onde se tornou o principal divulgador das ideias de renovação moral.
Depois de dois anos em Paris, explorando todo o mundo literário Francês, casa com Constance Loyd de quem tem dois filhos.
Entro 1887 e 1889, dirige a revista feminina The Woman`s World. Deste período fazem parte os seus contos reunidos em O Príncipe Feliz, os dois volumes de Crónicas e histórias O Crime de Lord Arthur Saville e Uma Casa de Romãs e o seu único romance O Retrato de Dorian Gray. Esta ulyima obra retrata a decadência moral humana. Fez com que Wilde tornar-se mais admirado e famoso.
Durante o período de 1892 e 1895, foram levados à cena algumas das suas peças. Por exemplo, O Leque de Lady Windermere, Uma Mulher sem Importância e Um Marido Ideal. A peça Salomé, escrita em francês, foi representada em Paris por Sarah Bernhard e posterioemente traduzida para inglês por Lord Alfred Douglas. O pai deste, Marquês de Queen-Berry, desaprovando a estreita amizade do filho com Wilde e insultou publicamente o escritor. Isto iniciou uma serie de acontecimentos que levaram à condenação de Wilde por homossexualidade. Permaneceu dois anos preso na colónia penal de Reading, onde escreveu uma longa carta a Lord Alfred, publicada em parte em 1905 com o título De Profundis.
Ao sair da prisão, arruinado, viu-se reduzido a viver de caridades dos amigos ou em hotéis baratos, em Itália e em França. Aqui escreverá a sua obra famosa A Balada do Presídio de Reading (1898), inspirada na sua experiencia na prisão. No exílio adoptou o nome Sebastian Memoth.
Morreu em Paris em 1900 com uma meningite.

Relação Fotografia/Texto

Na fotografia Puerto Rican Women With Beauty Mark, 1965, NY, Diane Arbus representa a realidade da beleza do “outro” (o imigrante).
Diane Arbus transmite uma beleza incomum através das suas fotografias. É o apreciar a beleza incomum de um corpo numa sociedade obcecada pela perfeição física.
A fotografia desta imigrante mostra o corpo excluído na sociedade em que vive. O “corpo diferente” de todos os outros.
Como Diane Arbus, o escritor, Oscar Wilde, no seu romance The Picture of Dorian Gray, critica, de forma irónica e trágica, a obsessão do homem pela beleza.
Wilde brinca com o tema da superficialidade na nossa cultura, o vício moderno com a moda e com o que é belo é, inquestionável e aprovado por todos nós.
No livro de Wilde, Dorian Gray é a personagem ligada ao ideal Grego de beleza. Este fica apaixonado pela supa própria aparência e deseja loucamente nunca perde-la.
O querer ser belo eternamente, está também presente no próprio modelo de Diane Arbus. Como o título indica, “Beauty Mark”, é como que o não aceitar a passagem do tempo, é como se fosse o pacto para uma beleza eterna, o não aceitar a passagem do tempo no seu corpo. A maquilhagem exagerada é, talvez, um recusar, desta mulher, os seus verdadeiros traços físicos.
Diane Arbus e Oscar Wilde, através das suas artes, fazem uma critica dirigida directamente à sociedade, que é em tudo superficial.


Bibliografia

Wilde, Oscar. The Picture of Dorian Gray. Penguin Popular Classics, 1994

Sitografia

http://www.jewishvirtuallibrary.org/jsource/biography/arbus.html
http://www.google.pt
http://www.wikipedia.com
http://www.youtube.com


Patrícia Gonçalves nº 37918
Línguas, Literaturas e Culturas-Estudos Ingleses

terça-feira, 11 de maio de 2010

Teste 2009

Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Arte Norte-Americana

2º semestre 2008 / 2009
Docente: Diana Almeida

“in America the past becomes totemic, and is always in a difficult relationship to America’s central myth of progress and renovation, unless it can be marshalled –as in the museum– as a proof of progress. (…)
A culture raised on immigration cannot escape feelings of alienness, and must transcend them in two possible ways: by concentrating on ‘identity,’ origins and the past, or by faith in newness as a value in itself.”
Hughes, Robert. American Visions: The Epic History of Art in America. Londres Harvill Press, 1999, 4.

“it is possible to argue that the rational disciplines of the body and populations were responses to the urban crises of the late eighteen and nineteen centuries, but the origins of these disciplines can be found in Protestant asceticism, medical regimes, military organizations and architectural structures.”
Turner, Bryan S. "Recent Developments in the Theory of the Body." The Body: Social Process and Cultural Theory, Org. Feartherstone, Mike, Mike Hepworth e Bryan S. Tuner. Londres: Sage, 2001 [1991], 23.



Reconhecendo a especificidade da cultura dos Estados Unidos da América, comente e relacione este dois excertos através de um (ou mais) exemplo(s) da representação (figurativa ou não) do corpo na arte norte-americana. Deverá situar a(s) obra(s) escolhida(s) face à produção artística coeva e ao trabalho global do artista em consideração, ponderando o modo como o tratamento do corpo na arte reflecte as características de dado contexto histórico.

Bom trabalho.

Spiral Jetty

Vídeo de Smithson documentando processo de construção e efeito visual da escultura natural Spiral Jetty.

domingo, 9 de maio de 2010

Pollock e Victor Hugo


Jackson Pollock, Blue Poles (or Number 11), 1952: 210x487 cm;
tintas diversas, esmalte, vidro sobre tela; National Gallery of Australia, Canberra




Biografia de Jackson Pollock

Nasceu em Cody, Wyoming, em 1912, um de cinco irmãos, mas cresceu e viveu no Arizona e California. A família via-se obrigada a frequentes mudanças no Ocidente dos EUA devido às diversas carreiras exercidas pelo pai.
Estudou na Manual Arts High School em Los Angeles e em 1930 seguiu o seu irmão para Nova Iorque e inscreveu-se na Liga do Estudante de Arte. Aqui, sentiu-se atraído por Kandinsky e Picasso. Também se inspirou nas pinturas murais dos artistas mexicanos Orozco e Siqueiros. O mestre que influenciou o pintor na Liga foi Thomas Hart Benton, e foi também ele que lhe deu a conhecer alguns gigantes da pintura Europeia. Os anos de depressão económica foram muito duros e ele sucumbiu ao alcoolismo, a tal ponto que, apesar do tratamento psicanalítico nunca mais se libertou dele. A sua famosa técnica de tinta aplicada em jactos iniciou-se em 1947, após ter-se mudado com a sua mulher (também pintora) para East Hampton, Long Island, tornando-se pioneiro do Expressionismo Abstracto. Em 1956, profundamente deprimido, separado da mulher e dependente do álcool, foi vítima de um acidente de viação.



Texto

"Na verdade, se nos fosse dado penetrar com os olhos da carne na consciência dos outros, julgaríamos com mais segurança um homem pelo que ele devaneia do que pelo que ele pensa. Há vontade no pensamento, no devaneio não. O devaneio, que é absolutamente espontâneo, toma e conserva, mesmo no gigantesco e ideal, a figura do nosso espírito. Não há coisa que mais directa e profundamente saia do fundo da nossa alma do que as nossas aspirações irreflectidas e desmesuradas para os esplendores do destino. Nestas aspirações, mais do que nas ideias compostas, racionadas e coordenadas é que se pode descobrir o verdadeiro carácter de cada homem. As nossas quimeras são o que melhor nos parece. Cada qual devaneia o incógnito e o impossível segundo a sua Natureza."

Victor Hugo, Les Misérables, (1862)


Biografia Victor Hugo

Victor Hugo, escritor e político francês, nasceu em Besançon, França no ano de 1802 mas passou a sua infância em Paris. O seu pai era oficial no exército de Napoleão e talvez por isso o escritor tenha desenvolvido uma intensa actividade política. Depois da separação dos pais, este é criado junto da mãe. As suas estadias em Nápoles e Espanha acabam por influenciar a sua obra e em 1819 funda com os seus irmãos a revista Conservador Literário. O seu primeiro livro, Odes e Poesias Diversas, é publicado em 1822 e por este recebe uma pensão de Luís XVIII, como prémio. Tem, até uma idade avançada, diversas amantes, sendo a mais famosa Juliette Drouet, actriz sem talento que lhe dedica a sua vida, e a quem ele escreve numerosos poemas. A partir de 1849, Victor Hugo dedica a sua obra à política, à religião e à filosofia humana e social. Apesar da sua mãe lhe incutir o espírito monárquico, Victor Hugo opta pela democracia liberal e em 1848 é eleito deputado da Segunda República, no entanto, exila-se após o golpe de Estado de 2 de Dezembro de 1851 que condena por razões morais. Durante a Comuna de Paris em 1871, Victor Hugo viveu em Bruxelas de onde foi expulso por abrigar soldados derrotados. Depois de refugiado em Luxemburgo regressou a Paris em 1876 onde mantinha um caso com a criada Blanche Lavin. Denunciando até ao fim a segregação social, o escritor é vítima de um enfarte em 1878 acabando por falecer em 1885. O seu funeral foi acompanhado por cerca de 2 milhões de pessoas, acabando o seu cadáver por ser transportado até ao Parthénon.


Relação pintura/texto


Victor Hugo propõe-nos uma leitura da obra de Pollock. Espontâneo, irreflectido, inconsciente serão as palavras de ordem para a análise desta obra. Pollock é inovador ao tornar a tela numa extensão do seu corpo, onde através de uma coreografia coordenada nos dá a conhecer o seu verdadeiro interior. O seu consciente é como uma mancha, como se tivesse sido dinamitada e dela só restassem rastos/restos/resíduos que se contrapõem aos seus irreflectidos devaneios. Não é apenas mais uma obra em que Pollock conjuga caos e ordem, mas sim onde pinta um inconsciente com sentido tornando a pintura num jogo entre a vontade de dizer e a vontade de esconder.


Bibliografia

Carr-Gomm, Sarah. A linguagem secreta da arte. Lisboa. Editorial Estampa, 2004
Emmerling, Leonhard. Pollock. Lisboa. Taschen, 2002
Cumming, Robert. Comentar a Arte. Editora Civilização
Gasset, Ortega. A desumanização da Arte. Almedina, 2003
Hugo, Victor. Os Miseráveis (vol.3). Editora Civilização



Ana Duarte, nº37092

James Turrell