sexta-feira, 10 de abril de 2009

A fotografia de Jacob Riis e as palavras de Jack London

Tópico 5: Travessias transatlânticas da Europa para os Estados Unidos

In a sweat shop, 1901


“As crianças do gueto possuem possuem tudo o que é necessário para se formarem como homens e mulheres de carácter, mas o gueto, como um tigre enlouquecido, encarniça-se contra essa mocidade, esmaga-a e destrói todas as suas qualidades, extingue nela toda a luz e toda a alegria e acaba por transformar aqueles que não chega a despedaçar em criaturas estúpidas, sem futuro, grosseiras e vis, muito aparentadas com as bestas.” (p. 195)

«Um provérbio chinês diz que, para alguém viver ocioso, é necessário que outro alguém morra de fome; e Montesquieu afirmou: “O facto de vários homens se ocuparem a fazer roupas para um só homem é a razão de existirem muitos homens sem nada para vestir.” Uma coisa explica a outra. Não se pode compreender a existência do trabalhador esfomeado e esquálido do East End (…) até se ter a ocasião de observar a garbosa Guarda Real do West End, e perceber que os primeiros são quem tem de alimentar, vestir e manter os segundos.» - sobre o dia da coroação do rei Eduardo VII, a 9 de Agosto de 1901 (p. 104)

“Coitados dos inaptos e inúteis! Os miseráveis, os desprezados e os esquecidos são vítimas da degradação social, são os frutos da prostituição – prostituição de homens, mulheres e crianças, da carne, do sangue, da inteligência e dos espíritos; em suma, a prostituição do trabalho. Se é isto que a civilização em para oferecer ao homem, então mil vezes o estado selvagem, a nudez e os uivos, mil vezes viver no deserto e na brenha, no covil e na caverna, em de trucidado pela máquina e pelo Abismo!” (p. 204)


Introdução:
Apesar da aparente dualidade que preside entre os dois autores, ambos são encaminhados para a mesma direcção: o retrato social. São dois homens diferentes, que viveram em época diferentes e que trabalharam em espaços, também, diferentes. A técnica, por sua vez, também muda: Jacob Riis utiliza o olho da câmara para eternizar a realidade dos imigrantes que (sobre)vivem nos Estados Unidos; Jack London, por seu lado, opta por apelar ao imaginário construtivo do leitor através dos seus relatos escritos. Saltamos dos Estados Unidos para o bairro de East End, em Londres, mas o panorama que nos é, mais ou menos, transmitido, continua a ser o mesmo: a degradação do “homem imigrante”.Individualmente ou postas em jogo umas com as outras, as fotografias de Jacob Riis permitem-nos construir uma narrativa mas quando o texto visual entra em “comunicação” com o texto escrito, apercebemo-nos que há uma complementação, uma convergência de ideias que se traduz no conceito de “abismo”. É este Abismo que irei procurar dar a conhecer; um Abismo que não é apenas um bairro de lata, nem um local de trabalho, mas uma condição, uma fatalidade, eu diria, a que todos os imigrantes aqui retratados estavam destinados.

Irei, portanto, apresentar em aula 3 fotografias de Jacob Riis e mais alguns excertos do livro do Jack London com o fim apresentar a leitura que fiz sobre a ideia de Abismo presente, de forma mais ou menos directa, no trabalhos dos dois artistas.

Jacob Riis nasceu no ano de 1849, na Dinamarca. Tendo emigrado para os Estados Unidos em 1870, trabalhou na South Brooklyn News, no New York Tribune no New York Evening Sun. Consciente do que era viver na pobreza (Jacob Riis chegou a trabalhar como carpinteiro em Copenhaga a dormir em casas de alojamento de esquadras da polícia nos E.U.A.), Riis aproveita as suas aptidões jornalísticas para dar a conhecer publicamente os problemas das classes mais baixas. Riis e outros reformistas - muitas vezes chamados de “muckrackers” - estavam dispostos a lutar por uma reforma social pois acreditavam que a pobreza era passível de ser reduzida através de uma regulação governamental da economia, ideia que trouxe longos efeitos nas políticas dos Estados Unidos até aos dias de hoje. Jacob Riis destacou-se, também, pela utilização do “flash powder”, técnica que lhe possibilitou fotografar tanto o interior como o exterior dos bairros de lata durante a noite. Depois de 25 anos a dedicar o seu trabalho aos mais pobres, Jacob Riis acaba por morrer em Barrie, Massachusetts, no dia 26 de Maio de 1914.
Jack London, nascido a 12 de Janeiro de 1976, em Oakland, teve uma infância difícil: abandonou a escola aos 14 anos para trabalhar numa fábrica de enlatados, foi distribuidor de jornais, varredor e, depois de trabalhar numa tecelagem e numa central hidroeléctrica, decide viajar pelos Estados Unidos de comboio. Em 1894, quando visitava as cataratas do Niágara, é preso por vagabundagem e é enviado para a Penitenciária de Erie County, em Buffalo, onde viveu durante um mês. Opositor do capitalismo e influenciado por ideias socialistas, Jack London escreveu romances que manifestavam quase sempre o conflito entre o acentuado individualismo do autor e os seus anseios por reformas sociais; exemplo disso foi o seu livro chamado O Povo do Abismo, publicado em 1903. Operário, captador de ostras clandestino, revolucionário marxista, dono de uma mal-sucedida fábrica de sumos, correspondente de guerra, marinheiro, London carregava consigo a imagem de um homem de acção. Porém, este homem multi-facetado acaba por se suicidar com morfina aos 40 anos, na sua fazenda de Glenn Ellen, na Califórnia, a 22 de Novembro de 1916.

Bibliografia

  • ALLAND, Alexander, Jacob A. Riis: photographer and citizen, Nova Iorque, Aperture; 1003
  • LONDON, Jack, O Povo do Abismo, Antígona, Lisboa; 2ª ed, 2002
  • YOCHELSON, Bonnie, Rediscovering Jacob Riis: exposure journalism and photography in turn-of-the-century New York, Londres, The New Press; 2007


Sitografia

Sara Santana, 35175
Estudos Artísticos - Artes do Espectáculo

domingo, 5 de abril de 2009

Topicos vídeo 5

Arte Norte-Americana 
Diana V. Almeida
American Visions, Vídeo 5
“A Onda do Atlântico”

Cidadania Americana
Ronald Reagan “We are a nation under God” (Manifest Destiny1980s)
Mudança de nacionalidade (tornar-se “outro”) como marca central da identidade nos E.U.A. – imigração + coesão nacional através da língua e partilha símbolos culturais patrióticos (hino nacional)
Ellis Island: porto de NY, principal porta de entrada milhares de imigrantes nos E.U.A. entre 1892-1954 + Ellis Island Immigration Museum, inaugurado 1990

Escultura
Estátua da Liberdade, “Liberty Enlightening the World” (1886): Frédéric Auguste escultor, Bartholdi Maurice Koechlin engenheiro estrutura interna, Eugène Viollet-le-Duc escolha do cobre e técnicas de trabalho do metal + oferta de França aos E.U.A., centenário Declaração da Independência Americana + 7 raios na cabeça da estátua = liberdade iluminando 7 continentes + ícon América + anfitriã feminina, figura maternal recebendo imigrantes

Fotografia
Jacob Riis (1849-1914)
fotografia como instrumento de mudança social, intenção moral reformista + “human-interest stories”, sensacionalismo jornalístico (exploração do medo e fascínio pelos imigrantes, alteridade ficcionada) + How the Other Half Lives (1890), albúm documental bestseller + Lower East, NY, bairros sobrepovoados e miseráveis + aglomerado de imigrantes estremunhados pelo flash da máquina (espécimes humanos a revelar para despertar consciência social)

Cinema
Charles Chaplin (1889-1977)
cinema mudo como cultura de massas, efeito de identificação e catarse para audiência + realizador, argumentista, actor, compositor + paródia estereótipos sociais (ex. o vagabundo) e figuras de poder (The Great Dictator, 1940), crítica modelo de desenvolvimento capitalista e mecanização, homem com corpo-máquina, (Modern Times, 1936)

Pintura
Ashcan School
Corrente realista contra academismo e idealização vs. “genteel tradition” nas artes visuais (corpo feminino assexuado, virtuoso, promovendo valores político-morais da classe média-alta) + imagem de masculinidade heróica, vitalidade das multidões no espaço urbano, fascínio pela técnica (influência de Walt Whitman) + olhar viril, artista como caçador de imagens

Robert Henri (1865-1929)
Estuda em Paris 1888-91 + figura carismática + professor na NY School of Art de George Bellows, Stuart Davis, Edward Hopper, e na Ferrer Center School de Man Ray + defende arte vernácula, retratando realidade social urbana + composição: imagem agressiva e imediata, contrastes tonais fortes, concentração cromática ex. “Salome (no. 2)” (1909)

George Bellows (1882-1925)
3 temáticas: proezas tecnológicas da América (Canal do Panamá, 1906-08, inaugura 1914), “Pensylvania Station Excavation” (1909) + NY, Lower Manhattan, classes populares, “42 Kids” (1907) / paródia de “Swiming (The Swiming Hole)” (1885) de T. Eakins, com corpos modelares + box (ilegal), “Both Members of this Club” (1909), tensões raciais, figura negra vs. figura branca ensanguentada no ringue

John Sloan (1871-1951)
Começa como ilustrador, cartonista, caricaturista + carácter afirmativo seus quadros, identificação humanista com figuras (vs. estereótipos de miséria), retratadas num momento fugaz no espaço urbano, NY


Fotografia
Alfred Stieglitz (1864-1946)
Do estilo pictorialista inicial para imagens bem definidas (“sharp”, vide grupo f’’64) + defende autonomia dos campos artísticos, exploração de cada meio de expressão na sua especificidade vs. hierarquia académica entre pintura/escultura e fotografia + NY, Galeria 291: promove vanguardas europeias e modernistas americanos + Camera Work (1903-1917), revista de fotografia

Modernismo
Armory Show (1913): inaugura em NY, vai a Chicago e Boston, 300 mil visitantes + cerca de 1300 obras de mais de 300 artistas, 1/3 americanos + estilos europeus (em especial franceses) desde 1860s: simbolismo (Odilon Redon), fauvismo (Matisse), pontilismo (George Seurat), cubismo (Picasso, Braque, Picabia) e van Gogh, Gauguin, Cézanne...
Imprensa escandalizada, ex. Duchamp, “Nude Descending a Staircase, No. 2” (1912), (de)composição do corpo inspirada fotos movimento de Jules Marey + ideia de que obra de arte tem de ser vituperada antes de ascender ao museu

Marcel Duchamp (1887-1968): Ready made, Urinol, 1917 + acaso incorporado acto criativo, humor, irreverência = dadaísmo NY

Cidade (NY) e máquina definem identidade americana
John Marin (1870-1953): “Brooklin Bridge” (1910) + técnica aguarela, pinceladas descontínuas atomizam formas

Joseph Stella (1877-1964)
Nasce em Itália, imigra E.U.A. 1896 + estuda NY School of Art + trabalha como ilustrador de reportagens jornalísticas + influências da pintura futurista italiana ex. “Battle of Lights, Coney Island, Mardy Gras” (1913-14), pintar iluminação cidade (Thomas Edison, lâmpada eléctrica, 1879) + “The Voice of the City of New York Interpreted: The Bridge” (1920-22): Brooklin Bridge emblema do sublime tecnológico, “metallic weird Apparition under a steel sky (…) as the shrine containing all the efforts of the new civilization of AMERICA – the eloquent meeting of all the forces arising in a superb assertion of their powers, in APOTHEOSIS”, diz Stella

Charles Sheeler (1883-1965)
Manhatta (1920): filme experimental co-realizado com fotógrafo Paul Strand, construído e montado a partir de versos de W. Whitman. Pintura “Church Street El” (1920), a partir de uma frame do filme
Preciosismo: sublime industrial, formas geométricas da arquitectura substituem Natureza, imagens despojadas de vida orgânica + “American Landscape” (1930), uma figura humana quase invisível, perdida na escala da paisagem industrial + projecto fotográfico documental River Rouge Plant, Ford Motor Company (1927), “The man who builds a factory builds a temple. The man who works there, worshipes there”, diz Henry Ford

Charles Demuth (1883-1935)
“The Figure 5 in Gold” (1928), ícone modernismo Americano + crescente intertextualidade artes, quadro cita poema imagista de William Carlos William, “The Great Figure” (1921): “Among the rain / and lights / I saw figure 5 / in gold / on a red / fire truck / moving / tense / unheeded / to gong clangs / siren howls / and wheels rumbling / through the dark city”

Marsden Hartley (1877-1943)
Influenciado por pintura visionária de Albert Pinkham Ryder (1847-1917) + “Portrait of a German Officer” (1914), Berlim, subcultura gay, homenagem seu amado morto início da Guerra, estrutura cubista, figura totémica, codificada, cita emblemas marciais + 1915 regresso NY sentimento anti-alemão marginaliza sua obra + fascinado por Novo México, paisagem do sudoeste americano, “It is the only place in America where true color exists. It is not a country of light in things – it is a country of things in light”, diz Hartley

New Mexico
Colónias de artistas: Santa Fé, Albuquerque, Taos
Mabel Dodge Luhan (1879-1962): defende união antigo conhecimento colectivo da cultura nativa com perspectiva inventiva do modernismo + anfitrã artistas em Taos (J. Marin, M. Hartley, G. O’Keeffe, D.H. Lawrence)

Georgia O’Keeffe (1887-1986)
1915: Stieglitz (com quem casa 1924) expõe seus desenhos a carvão na Galeria 291 – comunidade artística louva seu estilo “natural”/”puro”, capaz de comunicar energias cósmicas + “The Radiator Building – Night, New York, 1927” (1927), silhuetas edifícios da cidade + “Black Íris III” (1926), formas orgânicas de flores ampliadas, sugestões eróticas + “Ram's Head White Hollyhock and Little Hills” (1935), crânio gado suspenso na paisagem desértica (kitsch surrealista) + 1929 muda-se para Novo México, 1945 compra casa de adobe em Abiquiu, que restaura ao longo das décadas + ícon do movimento feminista, mulher artista independente, reconhecida pelos seus pares

Arquitectura
Frank Lloyd Wright (1867-1959)
Desenhador projectos gabinete Louis Sullivan, Chicago + Robie House (1909): Prairie Style, construção na horizontal inspirada por paisagem (vs. arranha-céus), espaço amplo e moldável, dividido com painéis/biombos, demarcação interior/exterior mais fluida (casa chá japonesa) + Falling Water (1936): organicidade construção inserida espaço natural, síntese lírica (vidro reflecte água cascata, pedra cita a rocha onde edifício se implanta, varandas projectadas no ar) + Museu Guggenheim, NY (inaugurado 1956), espiral contínua dirige movimento visitantes até topo, experiência estética associada a estrutura orgânica primeva (concha)

Economia
1929, Black Monday, 24 Outubro, crash Bolsa NY – início da Grande Depressão vs. optimismo político (Presidente republicano Herbert Hoover declara discurso inaugural em 1928: “We in América today are nearer to the final triumph over poverty than ever before in the history of any land”)

sábado, 4 de abril de 2009

Manhatta( Charles Sheeler/Paul Strand)



Manhatta (1921) is a short documentary film which revels in the haze rising from city smoke stacks. With the city as subject, it consists of 65 shots sequenced in a loose non-narrative structure, beginning with a ferry approaching Manhattan and ending with a sunset view from a sky scraper. The primary objective of the film is to explore the relationship between photography and film; camera movement is kept to a minimum, as is incidental motion within each shot. Each frame provides a view of the city that has been carefully arranged into abstract compositions. (Wikipedia)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Como colocar posts no blogue

Caso ainda restem dúvidas... Por passos:

1. Aceder ao site do blogger (www.blogger.com). Aí, colocar o nome de utilizador e a password nos campos respectivos (dados contidos no programa da disciplina).
(nota para quem tem a sua própria conta google: não é possível aceder ao blogue com outra conta que não a especificamente criada para a disciplina, pelo que terá que fazer logout da sua conta, para depois poder entrar nesta)

2. Carregar em "nova mensagem".

3. Escrever o post.

3 1/2. Para colocar a imagem, convém que a tenha guardada no disco rígido. Basta carregar no 3º icon, a contar da direita, dos que estão em cima da caixa de texto, depois procurá-la no disco rígido e carregá-la para o post.

4. "Publicar mensagem".

Tópicos Teste Escrito

Para cada um e todos pensarmos...

Representações do CORPO na Arte Americana

. retrato (indivíduo, cidadão)
. herói (G. Washington)
. natureza (geografia mística)
. família / intimidade doméstica
. moral / exemplar
. anatomia / ciência (corpo mapeado / o cientista como herói)
. casa / arquitectura (corpo da cidade)
. indivíduo dentro da casa (vs. espaço exterior)
. fragmentado / desconstruído (autoreflexividade)
. erótico
. esculpido (como massa)
. ausente
. do artista (técnica)
. do outro (raça / género / grupo social)

Tópicos vídeo 4

Arte Norte-Americana 
Diana V. Almeida
American Visions, Vídeo 4
“A Idade Dourada”


Guerra Civil (1861-65)
Confederação (Sul) contra União. 1ª guerra moderna (impacto tecnologia), Ilíada Norte Americana (causa mais mortos do que totalidade conflitos em que Estados Unidos participam durante séc. XX)
Impacto documental fotografia (considerada meio de representação “transparente”) de Mathew Brady (1823-1896): horror dos cadáveres acumulados vs. conceito de heroísmo bélico

Monumentos comemorativos
Túmulo General Robert Lee (1807-1870), Southern Gentleman.
Augustus Saint-Gaudens (1848-1907): “Robert Gould Shaw and the Fifty-fourth Regiment Memorial” (1897), Boston, friso com companhia de soldados voluntários negros (representados como indivíduos com dignidade vs. estereótipos racistas do negro 1880s) + “General William Sherman Monument” (1903), NY, forrado a folha de ouro com deusa da vitória caminhando à frente; Sherman (1820-1891) comandou 60 mil soldados da União desde Atlanta (Geórgia) até à costa, destruindo tudo à sua passagem; 1880 comenta “I am sick and tired of war. Its glory is all moonshine. It is only those who have neither fired a shot nor heard the shrieks and groans of the wounded who cry aloud for blood, more vengeance, more desolation. War is hell.”
[De Saint-Gaudens é ainda referido “Adams Memorial” (1886-91), Rock Creek Church Cemetery, Washington D.C.: monumento encomendado por Henry Adams (1838-1918) quando sua mulher se suicida + figura enigmática evocando nirvana budista]

Realismo na pintura
Ver, medir e registar mundo moderno com objectividade da câmara e honestidade do cientista
Thomas Eakins (1844-1916): “The Champion Single Sculls (Max Schmiit in a Single Scull)” (1871), remadores, fascínio pelo corpo humano em acção + estudos preparatórios a partir de fotografias, sequência movimento, vide experiências de E. Muybridge (1830-1904). “The Gross Clinic” (1875): intertexto com “Lição de Anatomia do Dr. Tulp” (1632), de Rembrandt + composição em pirâmide com rosto iluminado do cirurgião no topo, nas sombras vislumbram-se alunos de medicina no anfiteatro. Expulso da Pennsylvania Academy of the Fine Arts em 1886 por desvelar corpo nu de modelo em frente a estudantes

Thomas Anshutz (1851-1912): aluno Eakins + “The Ironworkers’ Noontime” (1880), proletários em repouso exibindo corpos jovens e fortes, culto masculinidade esforçada (vs. medo da feminização da cultura americana)

Sentido de Progresso ameaçado com assassinato de Lincoln (1809-1865), evocado na pintura ilusionista de John Frederick Peto (1854-1907): “Lincoln and the Star of David” (1904) + poemas de W. Whitman (1819-1892) expressando luto nacional, ex. “When Lilacs Last in the Dooryard Bloom’d”

Winslow Homer (1836-1910): “The Veteran in a New Field” (1865), regresso à vida civil, actividades produtivas, intertexto bíblico (Isaías 2:4) + alegoria da Morte ceifando as vidas. “Snap the Whip” (1872), celebrar infância, idealizada no período pós-guerra, vide Mark Twain (1835-1910), Tom Sawyer. “The Life Line” (1884), drama de resgate no mar com tonalidade sexual. “The Gulf Stream” (1899), estranheza ameaçadora do mundo natural vs. ilusão segurança social + marinheiro negro à deriva, rodeado de tubarões, tufão aproxima-se + solidão existencial. “West Point, Prout’s Neck” (1900), local para onde se retira quase 3 décadas, estudando paisagem marítima

Renascença Americana
1876, Philadelphia Centennial Exposition: celebra expansão industrial 1850s, 1860s + o mito da máquina, o sublime tecnológico
Brooklin Bridge (1883), de John e Washington Roebling: símbolo de união América + harmonia estética e funcionalidade (engenheiro artista) + arcos góticos implicam objectivo transcendente + representa novo idioma espaço urbano, materiais (pedra, ferro e aço) e orientação (construções na vertical, tornadas funcionais por elevador)
Louis Sullivan (1856-1924): Teoriza organicidade funcional da arquitectura (F. Loyd Wright é seu discípulo). Carson-Pirie-Scott Store, Chicago (1899-1904), grelha como estrutura base + equilíbrio simétrico + janelas rasgadas + ornamentos orgânicos
1893, World’s Columbian Exposition, Chicago: marca 400 anos chegada Colombo à América

Richard Morris Hunt (1828-1895): arquitecto da opulência, palácios Newport (Rhode Island) ex. Marble House (1888-92) ou The Breakers (1892-95)
Isabella Stuart Gardner (1840-1924): mecenas + coleccionismo (imigração em massa obras de arte europeias) + concepção museu com função terapêutica (serena tensões sociais) e didáctica (foco educação cívica classe média, substituindo igreja)

Expatriados
James Abbott Whistler (1834-1903): “The White Girl (Symphony in White, No. 1)” (1862), contra pressupostos narrativos na pintura + “Arrangement in Grey and Black, No.1 (The Artist’s Mother)” (1871), desconstrói culto da família, epitomiza ideal da Arte pela Arte + Peacock Room (1876-77), influência arte japonesa + “Nocturne in Black and Gold: The Falling Rocket” (1875), John Ruskin ridiculariza quadro, artista processa crítico e arruina-se
Mary Cassatt (1844-1926): inspirada por gravuras japonesas + influência de Edgar Degas (1834-1917), que a convida a juntar-se ao grupo dos Impressionistas + retrata intimidade familiar ex. “The Child’s Bath” (1893)
John Singer Sargent (1856-1925): “El Jaleo” (1882), fascínio por Espanha, cita grutas Altamira, celebra êxtase da dança (vs. decoro puritano) + “Madame X (Mme. Gautreau)” (1884), escândalo no Salon de Paris, fascínio por colunáveis + retrato de “Isabella Stuart Gardner” (1888)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Maya Deren e Pierre Reverdy


Meshes of the afternoon, Maya Deren & Alexander Hammid
Filme, 16 mm, preto e branco, mudo, 14 min.



“Cigarette papers datebook and tobacco pouch
Life
Ought to be like painting
Still
And literature
A hairless head
Eyes straight
Comma
A flat nose a plane
On the forehead
My portrait
My heart beats
It's an alarm clock
In the mirror I'm full length
My head smokes”

(Still-life portrait, c.1920s)
Pierre Reverdy


Maya Deren (1917-1961), nascida na Rússia e cedo imigrada para os Estados Unidos da América, tornou-se numa figura determinante na história do cinema experimental norte-americano em 1943, quando realizou a sua primeira obra, em conjunto com Alexander Hammid, "Meshes of the afternoon".
O impacto da obra, embora não imediato, acabou por revelar-se notável, tendo vindo posteriormente a ser instituído nas biografias do filme experimental como a película de transição de um velho, disconexo e inexpressivo cinema avant-garde norte-americano para um outro, prolífico e diverso.
A partir de um conjunto de referências europeias, de onde se destacam os filmes surrealistas realizados por Jean Cocteau (Le sang d'un poète, 1930), e Luis Buñuel, em co-autoria com Salvador Dali (Un chien andalou, 1928), Deren construiu uma linguagem fílmica própria. Por oposição à escola cinematográfica que associa a imagem à palavra, presente na maior parte do cinema mudo, a cineasta recorre a um enorme leque de técnicas experimentais, com o objectivo primário de dar corpo a uma experiência que se queria poética e subjectiva.
A aproximação do cinema a outras artes, como a pintura ou a poesia, enquanto expressão do "eu", terá sido o maior contributo deste filme de Maya Deren, abrindo novos caminhos e possibilitando a obra de cineastas como Kenneth Anger ou Stan Brakhage; este último que terá mesmo dito, acerca de Deren: "she is the mother of us all".

Pierre Reverdy (1889-1960) foi um poeta francês. Os seus escritos são associados essencialmente ao movimento cubista, embora tenham exercido a sua influência de forma considerável nos poetas surrealistas, nomeadamente enquanto reinterpretação das linguagens poéticas.
Em "Still-life portrait", destacam-se o ritmo das palavras e a força das imagens, bem como a construção rigorosa. Tal como Maya Deren em "Meshes of the afternoon", Reverdy acopla imagens aparentemente desconexas, numa construção lenta de sentidos que, mesmo no último verso, nunca chegam a ser perfeitamente definíveis.
Em ambas as obras confluem elementos que as aproximam das linhas definidoras do Surrealismo, como é o caso do sonho e da fusão de realidades, em "Meshes of the afternoon", e do ritmo e da imagética ("My head smokes") em "Still-life portrait". No entanto, ambas recusam a ideia fulcral surrealista, o automatismo, ao apresentarem-se como reflexões conscientes sobre as respectivas linguagens artísticas: Deren estuda as possibilidades da narrativa em filme, recorrendo unicamente à imagem para contar a sua complexa e não-linear estória; Reverdy constrói uma poesia controlada e sintáctica, à maneira das pinturas cubistas de Paul Cézanne ou Juan Gris.


Bibliografia
Lowry, Glenn D., MoMA Highlights, Museum of Modern Art, 2004.
Sitney, P. Adams, Visionary film: The american avant-garde 1943-2000, Oxford University Press, 2002.

Kudlácek, Martina. Im spiegel der Maya Deren, 2002.

http://www.bopsecrets.org/rexroth/essays/reverdy.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Pierre_Reverdy
http://en.wikipedia.org/wiki/Maya_Deren
http://en.wikipedia.org/wiki/Experimental_film
http://www.allmovie.com/artist/maya-deren-87527/bio


Autoria: José Bértolo